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Fight of Gods – A polêmica da vez – A infâmia como propaganda

Será que é necessário combater um game apenas por trazer elementos polêmicos?

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Não é a primeira vez que um game traz em sua temática algo que incomode os mais conservadores, aliás isto começou bem mais cedo do que se pensa. Custe’s Revenge, para Atari na primeira metade dos anos 80 não foi perdoado, mesmo com a resolução terrível da época, pela sua temática que envolvia estupro e racismo contra indígenas.

A intenção aqui não é discutir se é ético ou não games tratarem de imagens ou temas polêmicos, mas fazer uma reflexão sobre quais são as reais consequências de reações de rejeição explosivas contra um game de gosto questionável para alguns.

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Fight of Gods apareceu no Steam como um game de luta em estágio de Acesso antecipado. Infelizmente, ao invés de ser avaliado se é divertido, se funciona bem, a euforia que deu notoriedade ao game foi principalmente Jesus Cristo ser apresentado como lutador jogável no game, o que se levado a sério, é compreensível que aborreça cristãos, já que Jesus é uma figura associada a pacifismo, o que é completamente oposto à proposta do game.

Vejo neste episódio uma oportunidade para discutir algo que tenho notado na interação entre militantes ideológicos e algum game que lhes seja incômodo. Para tanto, vou nos levar até 1997, quando uma desenvolvedora pequena ousou lançar um game chamado Grand Theft Auto, para Ms-Dos nos pcs da época.

Se dependesse da qualidade do game, que era péssima, e dos próprios desenvolvedores para fazer propaganda, já que tinham poucos recursos, o pequeno GTA seria esquecido completamente e hoje provavelmente não teríamos notícias dele.

Grand Theft Auto conseguiu notoriedade por causa de sua temática polêmica, mas sua jogabilidade era bem ruim, mesmo em sua época.

Entretanto, a temática de GTA, mesmo que apresentada apenas como um conceito e com pouco realismo, o game permitia assassinatos, roubos de carro e associação com gangues em seu gameplay, o que foi suficientemente polêmico para que fosse proibida sua comercialização em vários países, inclusive o Brasil.

Ironicamente, a preocupação por lutar contra um jogo tão fraco acabou tornando-o conhecido e interessante, dando um ponta pé para que a franquia Grand Theft Auto seja hoje, 20 anos depois, uma das franquias mais conhecidas e de mais sucesso no mundo, já um game bem feito em sua terceira edição, sendo o último capítulo, Grand Theft Auto V, sucesso absoluto ainda hoje, 4 anos após seu lançamento.

O Sucesso de GTA I e II permitiram que em 2001 GTA III, com gráficos lindíssimos em sua época e uma jogabilidade renovada coroasse esta franquia como uma das mais amadas por uma legião de gamers.

Outro exemplo, também lançado em 1997 e bem inferior em qualidade técnica que o anterior, é Postal. Neste game não há nem preocupação em seu “enredo” para justificar violência, e se trata de um título terrivelmente mal produzido, mas a polêmica levantada contra ele foi suficiente para garantir aos seus produtores uma sequência tão rasa quanto, mas ainda mais violenta. A franquia morreu na sua terceira edição, por incompetência dos próprios produtores.

GTA V já vendeu mais de 80 milhões de cópias em todo o mundo. O ùltimo capítulo da franquia alcançou um sucesso impensável quando a franquia começou.

Há outras franquias que ganharam notoriedade por polêmicas que levantaram propaganda contra elas, o que apenas as promoveu, nem todas tão ruins quanto as citadas acima em suas estreias, como Mortal Kombat, por exemplo. Não fosse a notoriedade que sua violência explícita causou duvido que esta franquia tenha conseguido bater de frente com Street Fighter.

O que me parece é que na intenção de lutar contra algo que consideram ruim para a sociedade, acaba-se promovendo aquilo que se quer combater, afinal, se o produto não for bom o suficiente, dificilmente conseguirá por si conseguir espaço sobretudo na indústria dos games, onde é complicadíssimo competir com as grandes desenvolvedoras. Alguém ainda fala de Hatred?

Fight of Gods não parece ser muito promissor como game de luta. Será que teria sido notado não fosse a polêmica levantada contra ele?

Fight of Gods é um game de luta, categoria difícil de se lançar algo que consiga espaço entre Street Fighter, Mortal Kombat, Tekken, Marvel vs Capcom, The King of Fighters e alguns poucos outros menos notáveis. Sendo um título ainda em desenvolvimento, mas visivelmente datado em seu motor gráfico e de jogabilidade truncada, duvido que por si só, apenas sustentado pela polêmica da figura de Jesus no seu staff de Personagens jogáveis, será lembrado daqui a poucos meses, exceto por alguns religiosos desnecessariamente temerosos, ao menos que estes religiosos façam tanta questão como já fizeram antes, de exibir a exaustão o que não querem que se veja, fazendo uma grande propaganda gratuita do que sem a ajuda involuntária deles seria esquecido.

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