Mafia III tem história excelente – mas o gameplay poderia ser melhor

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Fonte: IGN.com

O sentimento de imersão está lá. A narrativa, bem construída, também. Se Mafia III fosse um filme, certamente seria um sucesso. Há vários aspectos não explorados ainda na indústria de games: os anos 60, que ficaram tão em voga na mídia com a série Mad Men, estão presentes em trilha sonora e, principalmente, nos carros.

Mas… Em termos de gameplay, Mafia III deixa a desejar. A sensação final do jogo é de que trata-se de um jogo produzido em 2012 e que fora remasterizado para 2016. Que fique claro: a história é ótima. Realmente muito bem montada, com um criminoso (duh, o protagonista só poderia ser um anti-herói) “com princípios” que busca vingança. O problema, acima de tudo, é o gameplay. Antes de falar sobre ele, falemos das virtudes de Mafia III

Não estamos em New Orleans, mas é tipo isso

Da mesma forma que a Rockstar usa nomes fictícios de cidades (San Fierro, Los Santos e etc), a 2k faz o mesmo aqui para ter mais liberdade na criação de edifícios e do mapa como um todo. O mapa de Mafia III é sitiado em New Bordeaux, uma alusão óbvia a New Orleans. Lincoln Clay, o anti-herói que você controla, acaba de voltar da Guerra do Vietnã e, no maior clichê de “jornada do heroi” possível, quer trilhar um caminho diferente da criminalidade mas é arrastado para ela de toda forma.

O ponto alto do jogo, como dissemos, é a história. Mafia III se passa numa época de negação de Direitos Civis a negros e o protagonista é colocado no meio dessa questão. Embora New Bordeaux – tal qual a Louisiana real da década de 1960 e 1970 – seja uma cidade belíssima, tem (e ainda tem, aliás) problemas sociais graves que são retratados no game com delicadeza e realismo acima da média. Os policiais, por exemplo, prendem Lincoln sem muito motivo – tal qual acontecia há 50 anos na região em que o game se baseou.

A ambientação histórica e da narrativa ganham um boost significativo com a trilha sonora. O som geralmente é algo negligenciado em alguns jogos, mas com o acabamento em Mafia III – tal qual um triple A game deve ter – é muito interessante e ajuda bastante a imersão. Até porque é cada vez mais comum que as pessoas joguem vídeo game com fone de ouvido. Quem o fizer terá a disposição um setlist e tanto de sucessos da época – Little Richard, James Brown, Roy Orbison, Elvis Presley, Ramones, Johnny Cash e quatro músicas dos Rolling Stones fazem parte da extensa trilha de 101 músicas.

A maior parte dos sites que avaliaram o game chegaram à mesma conclusão, como o GameSpot e outros. Mafia III é brilhante em vários quesitos, mas deixa o principal em um jogo – isto é o gameplay/jogabilidade em segundo plano. O objeto principal é a vingança de Lincoln, como dissemos – fique tranquilo, sem spoilers aqui. Mas para isso ele faz o óbvio: tiro para todo lado.

Às vezes não parece um jogo com extenso enredo e sandbox. Acaba parecendo mais um Call of Duty em terceira pessoa com temática criminosa. As missões secundárias – tão populares e essenciais para dar uma “quebra” de vez em quando – são extremamente repetitivas e frustrantes. Em suma, elas se baseiam em contrabando. Dirigindo pra lá e para cá. Tão somente isso.

Outro aspecto que Mafia acaba pecando é no que tange a minigames. Pode parecer algo supérfluo, mas ajuda bastante na imersão. Considerando que o jogo se passa no que é o berço do  poker nos Estados Unidos – a Louisiana – nada mais natural que o esporte aparecesse no jogo. Isso é bastante nítido no filme Cincinnati Kid, por exemplo.

Se tênis e jogar dardos foram inseridos pela Rockstar em Grand Theft Auto V – um jogo que sequer para Xbox One foi planejado – o mínimo esperado era algo assim. Ademais, esse conceito – os minigames, especificamente com o poker e o 5 card draw como modalidade, já havia aparecido no open-world de faroeste “Gun”, produzido há 10 anos pela Activision para Xbox/PS2.

Mafia III tem uma das melhores histórias que já vimos nesta década. Ela é envolvente e realmente parece um filme. Mas acaba pecando pelas missões repetitivas, negligência ao enredo nas missões secundárias, à inteligência artificial – a impressão que passa é que Lincoln é o Exterminador do Futuro quando enfrenta inimigos que não têm ideia como se esconder pelo cenário – e a minigames que proporcionam maior imersão.