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[Review] CUPHEAD – Literalmente, o jogo do capeta!

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Bonitinho, porém ordinário?

Antes de iniciar realmente esse review, quero deixar bem claro não ver muito sentido na necessidade de rotular as coisas como a maioria das pessoas andam fazendo nesses tempos de um mundo contemporâneo politicamente correto.

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Sou de uma geração cujas manhãs eram regradas com clássicos desenhos animados do Looney Tunes e Pica-Pau. Era corriqueiro alguém soltar uma bigorna na cabeça de um infeliz desavisado. Politicamente incorreto e ácido até o talo. Cuphead veio para reviver tudo isso.

Cuphead é um título exclusivo para o Xbox ONE e PC. Sua parceria com a Microsoft é um dos principais lançamentos no segmento [email protected]

Cresci jogando os jurássicos títulos do Atari e as plataformas das eras 8 e 16 bits. Jogos cascudos estão enraizados na minha experiência de vida como jogador de videogames há quase 40 anos.

E para acrescentar, Cuphead não é o Dark Souls dos jogos de plataforma. O título é inovador e uma grata realidade do gênero plataforma.

Uma obra de arte animada

O estúdio MDHR está de parabéns com sua produção esmeradamente caprichada. O jogo vem sendo produzido desde 2010 em parceria com a Microsoft. Inspirado na atmosfera e visual dos desenhos animados dos anos 30, com todo aquele nonsense e humor afiado. Um deleite para os amantes da era de ouro da animação.

O cuidado com as artes pintadas a mão – nos cenários e nos personagens – além da trilha sonora cheia de swing e jazz, dão o toque genial dessa obra de arte digital.

São acertadas essas referências, pois a progressão lateral nos remete a um desenho animado desvairado e frenético acontecendo em alta definição a nossa frente.

Simpatia pelo Diabo? …

 A trama de Cuphead é basicamente um clichê digno das produções animadas dos estudios Fleischer – Popeye, Brutus e Betty Boop são claras referencias no jogo. Os irmãos Cuphead e Mugman acabam perdendo uma aposta para o diabo durante uma passagem em um cassino. Para reverter essa situação e recuperar suas almas, ambos aceitam fazer alguns servicinhos para o Capiroto. Aí, o bicho pega.

Cuphead é um sujeito destemido, com a cabeça de xícara e capaz de atirar com o seu dedo. Seu único problema é se meter com alguns tipos da pior espécie.

São 3 mundos para escolher, acessados na ordem que desejar, com dois tipos de estágios. Plataforma com o objetivo de progredir lateralmente até o final da fase, com inimigos a torto e direito. Há também as coletas de moedas, usadas posteriormente para comprar itens especiais e essenciais.

O outro tipo de estagio são batalhas contra os 28 chefões do jogo. – O diabo não se enquadra nesta lista. Então adiciona mais esse imbróglio na contagem. – São todos combates ferrenhos, quase sempre resultando em muitas, muitas mortes.

Mugman é o seu companheiro de aventura, presente no modo cooperativo local.

A trilha sonora, com as músicas originais remetem a nostalgia e a atmosfera impregnada de jazz e outros ritmos dançantes. O tom e as variações acompanham as situações vividas pelos personagens, deixando tudo embalado na toada certa.

Difícil, pero no mucho

Polemicas a parte, Cuphead não é um jogo extremamente difícil. Sua jogabilidade e mecânicas exigem duas características típicas e corriqueiras das eras mais antigas dos videogames: Reflexos e memorização.

Melhor explicar direito: Jogadores mais experientes, acostumados aos joysticks e cartuchos do Atari e maquinas de fliperamas e seus títulos como Contra, Commando, Gunsmoke, Ghost N Goblins, tendem a aproveitar melhor o jogo da MDHR.

a galeria de vilões é vasta e alguns tem semelhanças descaradas com personagens conhecidos. Alguém aí reconhece o rival do Popeye?

São sujeitos familiarizados com as mecânicas do jogo, correr e atirar enquanto pulam e desviam desesperadamente para escapar de um tiro ou ataque de inimigos despencando na tela.

Quanto a dificuldade, são duas opções disponibilizadas: Single e Regular, respectivamente a mais fácil e a mais difícil. A ausência de um checkpoint durante as fase é outro embaraço assustador para jogadores mais casuais. A falta de uma coerência na escala de dificuldades pode inicialmente intimidar o grande público.

Todo o universo de Cuphead é cheio de surpresas, com desafios inesperados em ambientes surreais e perigosamente mortais.

Corra, Cuphead, Corra!

De um modo geral, foi uma aposta arriscada por parte do estúdio MDHR em tornar Cuphead uma tarefa árdua e menos acessível para qualquer tipo de jogador. Tudo se resume as escolhas, desde as suas ações de disparos, habilidades especiais e o modo de enfrentar os seus desafios.

Sozinho ou acompanhado – Existe a opção de controlar Mugman em modo cooperativo local na mesma tela– com a premissa de tornar a empreitada mais fácil.

Infelizmente, em virtude de trabalhar com o calendário apertado e cheios de compromissos, sou obrigado a me aventurar nas labutas digitais sozinho, sem a agradável companhia de alguém para me auxiliar. Ossos do oficio.

Um tiro certeiro e muito bem vindo

Politicamente incorreto até a raiz, Cuphead tem a acidez carregada de cinismo em chefes e personagens, tal e qual esses dois sinônimos de maus exemplos.

Cuphead bebe em clássicos dos gêneros de tiro, ação e plataforma. É um amalgama de várias vertentes. Recompensa os mais persistentes e insistentes. Os controles respondem de uma maneira exemplar durante toda a experiência virtual.

Os poderes e habilidades alternadas e sabiamente utilizadas, principalmente nos momentos finais do jogo são cruciais.

As poucas críticas que faço se atrelam a falta de localização para o nosso idioma e a demora para carregar a todo início de jogatina. Mesmo com as animações na tela de espera bem cativantes, acabei com o passar das horas, fazendo caretas tão estranhas quanto os chefões do jogo.

Cuphead é um deleite visual que merece ser experimentado por todos os felizardos do XBOX ONE. E no final das contas, o capeta não é lá essas coisas.

Fica aqui meu mantra semanal e a dica: Todo mundo apertando o START!